Arte Francês ou Francesa
A
dúvida está no ar há tempos,
desde quando nos deparamos com esta Arte pela primeira
vez, alguns ainda na Argentina e outros aqui mesmo
no Brasil. Será Arte Francês ou Francesa?
Vamos então, ver um pouco da história
desta arte que encanta a tantos!
O experimento sempre fez parte da vida do homem,
seguem os avanços e com ele o novo sempre
aparece.
A origem da Arte Francês, conforme pesquisa,
provavelmente deu-se na antiga China onde decoravam
seus móveis com figuras cobertas de verniz
laca, os famosos “laqueados”. Com a
chegada do mobiliário chinês à
Europa, no século XVII, os fornecedores de
móveis começaram logo a fazer imitações
dos desenhos laqueados com figuras asiáticas,
que ficaram conhecidos com “chinoiserie”.
Artistas famosos tinham seus desenhos ou esboços
aplicados em painéis. Na Inglaterra a técnica
era conhecida como japonesa. Em 1762 Robert Sayer
publicou um livro com 1500 desenhos para decoupage.
Em 1780, na França, Maria Antonieta e sua
corte também aderiram à moda da decoupage.
Nas obras feitas pela rainha, encontrava-se a seguinte
frase: “Découpure faite par La Reine”
ou “Decoupage by the Queen”. Decoupage
palavra de origem francesa “découpage”
derivada do verbo “decouper” que significa
“para cortar”. Basicamente a decoupage
consiste na escolha das gravuras, o recorte, a colagem
e por fim o acabamento para dar a sensação
de que a imagem foi pintada na peça.
No século 18 as pinturas de sala foram os
novos caminhos para a decoupage. Foram achados com
freqüência em grandes salas de casas
inglesas. Às vezes cobriam paredes inteiras
ou apenas parte delas.
No início do século 19 a paixão
pelas colagens foi declinando. Reapareceu novamente
na época Vitoriana.
Mas foi no século 20, nos Estados Unidos,
em 1963, que surgia a técnica de “Arte
Francês” pela mão de Patrícia
Nimochs, que usava de duas a três lâminas
sobrepondo os recortes para causar efeito de relevo.
Seria para época de hoje uma arte tridimensional.
O aprimoramento desta técnica foi acontecendo
lentamente. O nome “Arte Francês”
deriva do seu trabalho que era feito com imagens
típicas de pequeninas ruas francesas. Portanto
seu nome deveria ser Arte Francês porque não
é uma técnica francesa, as gravuras
que eram usadas no início por sua criadora
é que eram de imagens de ruas de cidades
da França. Mas no Brasil a técnica
ficou conhecida popularmente como Arte Francesa.
Como se realiza está técnica de arte
decorativa
Na verdade consiste em transformar uma imagem plana
em outra com formas e relevos. É uma arte
decorativa feita com paixão, percepção,
profundidade e contornos. Ao olharmos para uma gravura
devemos analisá-la e estudar o que podemos
fazer para realçar toda a sua essência.
Nesta técnica de cortes e recortes, para
valorizá-la ainda mais, são usados
de cinco a dez gravuras em média, depende
de qual gravura for escolhida para ser trabalhada,
que vai da mais simples as mais complexas. As gravuras
vão sendo recortadas cuidadosamente uma a
uma, trabalhadas e fixadas por etapas no suporte
escolhido. A colocação é feita
de maneira ordenada e cuidadosa.
Com está técnica o trabalho ganha
volume e profundidade, tendo como resultado final
uma obra belíssima que pode ser desde uma
obra decorativa até um utilitário.
As formas e maneiras de executar um trabalho dependem
do profissional que irá ensinar ou realizar
o trabalho. Cada pessoa tem a sua maneira de assimilar
o aprendizado. A escolha da gravura para a execução
do primeiro trabalho sempre deve ser cautelosa.
Como tudo na vida, devemos começar do princípio,
por grau de dificuldade, para aos poucos tomarmos
consciência de onde seremos capazes de chegar.
O bom gosto na escolha de uma gravura, aliada a
certa habilidade e a execução da técnica
com capricho e dedicação, garante
o sucesso de um trabalho impecável e que
vem fazendo muitos adeptos na América Latina.
Devemos nos orgulhar do que produzimos aqui em nosso
estado, pois somos referencia de bom gosto e qualidade
e somos respeitados por isto. Temos ótimos
profissionais em todas as áreas da Arte Decorativa.
A formação, bem como a bagagem aliada
à experiência de nossos professores,
vem contribuindo ainda mais para essa imagem que
construímos ao longo destes anos com muita
dedicação. Por isso, devemos sempre
buscar novos conhecimentos ampliando e aprimorando
ainda mais nossa Arte, continuando a crescer, realizar
e a ensinar com muito prazer e sabedoria.
Texto
de Sandra Bandeira, CPAD – Trabalha
com Arte Francesa entre outras técnicas há
quase 8 anos. Participou de Convenções
em Buenos Aires e em Porto Alegre, foi premiada
em três das quatro realizadas. Sua pesquisa
sobre Arte Francesa é citada em vários
sites. Contato: sbband@terra.com.br (51) 99980862.